Unam-se pela Trofa mas cuidado com o que devolvem!

Incapazes de fazer frente isoladamente a um PS que, apesar das dívidas da CMT e de alguma inoperacionalidade, conseguiu arrumar parcialmente a casa, os partidos da direita trofense uniram-se em coligação para tentar destronar o executivo liderado por Joana Lima. Unidos pela Trofa é o nome da aliança firmada entre CDS-PP e PSD que tem como “comandante” Sérgio Humberto, antigo dirigente da JSD Trofa e quadro do executivo de Bernardino Vasconcelos.

Como não estive presente em nenhuma das “aparições” públicas de Sérgio Humberto, fiz a minha pesquisa. A máquina eleitoral está muito bem montada (é, de longe, a mais “oleada” e no contexto eleitoral autárquico nacional é globalmente a melhor preparada) e existe uma longa lista de vídeos disponíveis no Youtube, bem como uma rede de partilha de fotos e informação seleccionada alicerçada fundamentalmente na JSD Trofa que tem trabalhado com afinco a partilhar fotos, vídeos e pequenos trechos dos discursos do seu líder e, em menor escala, dos candidatos às Juntas de Freguesia. Material suficiente para ficar com uma ideia sobre o percurso da coligação.

O ponto mais negativo, a meu ver, é a ausência de um programa eleitoral concreto e estruturado. Depois de meses a confraternizar e tirar fotografias com alguns trofenses, seria de esperar mais do que discursos com “compromissos” ainda muito superficiais: pedia-se um plano de trabalho oficial com acções concretas no papel. Um documento objectivo sobre como colocar em prática o que se vai propondo em sucessivas aparições de campanha. Discursos heróicos e inflamados, repletos de ideias interessantes mas vagas, não são suficientes para clarificar aquilo que a coligação quer/consegue efectivamente fazer. A menos de um mês das eleições os trofenses precisam de saber mais e qualquer análise pecará por falta de informação. Espero que chegue em tempo útil que nos permita avaliar uma das opções que temos em aberto.

Voltando à minha pesquisa, comecei por ver os vídeos. Fotos no Facebook com palavras de ordem e outdoors com caras não informam ninguém. O primeiro vídeo que vi foi o do discurso de Sérgio Humberto na assinatura do acordo da coligação. Uma das coisas que me chamou a atenção desde logo foi uma referência ao facto da coligação ter colocado a Trofa acima dos partidos. Parece-me um bom princípio. Fiquei no entanto admirado por Renato Pinto Ribeiro ocupar um modesto quarto lugar na lista à CMT, um lugar só elegível em caso de vitória. Apesar das diferenças óbvias de eleitorado existe pouco espaço para o CDS-PP Trofa.

Contudo, um dos aspectos que mais me deteve a atenção foi esta afirmação de Sérgio Humberto:

“[…] vamos devolver o orgulho à Trofa. Devolver a credibilidade, a força e a ambição por um futuro melhor […]”

A utilização do termo “devolver” deixou-me de pé atrás. Será que estamos aqui perante uma alusão ao passado que, apesar de tudo, ficou marcado por uma dívida imensa que herdamos do executivo anterior? Quero acreditar que a utilização do termo “devolver” foi uma gralha. Porque se não foi tenho razões para ficar preocupado. É que como trofense (e acredito piamente que não serei o único), não me apetece nada ver devolvida qualquer herança desse passado que trouxe obras importantes mas que as deixou praticamente por pagar. Aliás, a eleição de Joana Lima há quatro anos atrás foi precisamente um sinal claro de que os trofenses não estão lá muito virados para que nos devolvam grande coisa daquele tempo. Se a coligação vencer as eleições, espero sinceramente que o seu mandato seja marcado pela “credibilidade, força e ambição por um futuro melhor”. Não existe grande credibilidade a devolver do passado de governação de direita na Trofa. A dívida que herdamos não trouxe um futuro melhor para quem quer que seja… A menos que isso seja o equivalente a sermos simultaneamente um dos concelhos mais jovens e endividados do país!

P.S. Este texto foi escrito há uns dias atrás. Decidi publicá-lo hoje por ter visto alguns simpatizantes/militantes da coligação a fazer partilhas de material de campanha da mesma usando novamente a palavra “devolver”. Vejam lá o que devolvem…

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15 Responses to Unam-se pela Trofa mas cuidado com o que devolvem!

  1. Mendes,é um bocado injusto o teu texto quando falas nas questões programáticas. O programa global será apresentado no tempo e modo certos. Mas, se reparares bem, desde março que temos dado a cara afirmando e comprometendo a coligação de que será feita uma aposta em 4 eixos fundamentais, a saber: acessibilidades, apoio social, educação e economia.

    • João Mendes says:

      Olá Vítor, como estás?

      Como disse, ideias interessantes mas vagas por falta de detalhe de como executar não são propostas concretas. Agrada-me saber que as acessibilidades, o apoio social, a educação e a economia vão estar no topo da agenda mas ao fim de meses na rua e com tantos militantes nas fileiras, fazer um programa que conjugue as acções que vão sendo anunciadas é algo que já podia estar pronto há muito tempo. A campanha não começou ontem Vítor, já está em marcha há mais de meio ano.

      Faltam pouco mais de 3 semanas para as eleições. Por este andar não chegamos a ter tempo para ler o programa antes das eleições! Não te parece importante que o possamos ler a tempo de reflectir antes de votar em consciência?

      Nisso, o Bloco deu-vos uma lição a todos. Está lá, é aquilo! Se eles ganharem, é naquele documento que estamos a votar porque aquilo é o que o partido assume efectivamente fazer. Se não faz, será julgado por isso. Se fizer cumpre a sua função democrática.

  2. Anonymous says:

    Devolver o orgulho aos Trofenses não se refere apenas aos últimos 4 anos. Devolver o orgulho aos Trofenses significa restituir a esperança que todos tinham quando conquistamos o direito a ser concelho: ter qualidade de vida, ter boas acessibilidades, ter associações e colectividades fortes, ter saneamento e agua canalizada como em qualquer concelho digno desse nome e de primeiro mundo, ter uma política em rede de apoio social. É esse o ORGULHO TROFENSE que queremos devolver cumprindo algo fundamental que mais não é do que trabalhar em prol da nossa terra e servir a nossa população!
    Abraco

    • Anonymous says:

      João Ramos

      • João Mendes says:

        (João, reproduzo aqui a resposta que te deixei no facebook)

        João, se calhar fiz uma interpretação errada do período a que o Sérgio Humberto se refere no discurso mas se fores lá ver (o vídeo no Youtube) ele não é claro sobre se se refere ao período do executivo de Bernardino Vasconcelos ou ao consulado tirsense. Eu falo por mim quando digo que não quero nada devolvido desse tempo. E tenho noção que sou um de muitos a pensar assim.

        Depois, boas acessibilidades e redes de apoio social praticamente nunca tivemos por isso nesse caso não há nada para devolver. Qualidade de vida digna desse nome também nunca tivemos por isso não podemos devolver porque nunca a chegamos a ter. Quanto muito podemos tentar ter o que já seria muito bom.

        Saneamento e água canalizada vamos tendo e ai, justiça seja feita, o executivo anterior fez o que pôde. Só faltou mesmo pagar (ao fim deste tempo todo ainda não consigo perceber como é que o nosso concelho se endividou a este nível, com esta velocidade e com tão poucos anos de vida…). Quanto às associações e colectividades sou a favor que sejam apoiadas dentro da medida das nossas possibilidades.

        A palavra, na minha opinião, poderia ter sido “conquistar”, porque para a frente é que é caminho

        Bom trabalho! Fico a aguardar esse programa eleitoral!

  3. Safia Chenaf says:

    Boa noite Mendes, boa análise!
    Quanto ao programa o Vitor Sousa já te elucidou.
    Quanto à citação que aqui explanas, fui por curiosidade ouvir o discurso que falas e posso-te dizer que, depois de ouvir, entendi que a expressão “devolver o orgulho” remete-se só, somente, ao orgulho sentido/vivido durante a luta da Trofa a concelho e o auge vivido no dia 19 de novembro de 1998. Até porque o candidato começa a sua intervenção a falar precisamente nesse glorioso tempo, onde o orgulho, a força e o sentimento trofense estavam acima de tudo e de todos.
    E é esse sentimento que vejo essa campanha autárquica a defender.

  4. João Mendes says:

    Olá Safia! e muito obrigado pelo comentário 🙂

    Quando fomos buscar o concelho a Lisboa, não estavamos a fazer uma campanha, estávamos todos – e quando digo todos refiro-me a todas as forças políticas e sociais da Trofa – do mesmo lado, em busca do mesmo objectivo. O tipo de sentimento de unidade sem fronteiras políticas que se viveu naquele tempo está numa dimensão completamente diferente da uma campanha eleitoral até porque, a crispação existente entre os partidos opõe-se claramente ao sentimento de unidade que 1998 nos proporcionou.

    De qualquer forma, é legitimo interpretar a referência a um passado político por oposição ao presente socialista. São pontos de vista. Respeito o teu.

  5. Anonymous says:

    Tenho pena que ontem, João nao tenhas ido ao debate da ADAPTA. É que o Sérgio nao fugiu a nenhuma pergunta e esclareceu muito bem o que defende e concretizou.
    Vou dar-te alguns exemplos: avançar com a agenda 21 Local da Trofa envolvendo todas as associações e instituições do concelho relacionadas com o tema; a criação do corpo de voluntários da proteção civil da trofa; defesa do canil/gatil internunicipal e se o problema for o facto de ninguém o querer no seu concelho, com ele a Trofa oferece-se para ficar no nosso concelho; defesa de trabalho conjunto com todos os municípios da bacia do ave para um trabalho serio de despoluição que terá de ser feito em conjunto, etc.
    Foi pena, acredita que tinhas gostado e percebido que vais ter um programa serio, credível e realista!
    Abraco
    João Ramos

    • João Mendes says:

      João, infelizmente o meu tempo é curto e não me permite ir a todo o lado onde gostaria de estar. Mas repara bem que as situações que destacas no teu comentário são intenções e não a forma de as materializar. É preciso não confundir uma coisa com a outra e é por isso que quero ver um programa eleitoral: para saber como se vão materializar essas intenções, compromissos ou promessas, dependendo do que lhes queres chamar. Porque o que acontece depois das eleições é que os vencedores chegam ao “poder” e descobrem que afinal não era nada do que eles estavam à espera e as promessas começam a cair por terra. Eu até te podia, a título de exemplo, relembrar a quantidade de promessas falsas feitas por Pedro Passos Coelho e aquilo que ele efectivamente cumpriu mas acho que tens noção daquilo que falo. É claro que não coloco o Sérgio no patamar baixo e reles do primeiro-ministro mas o certo é que no campo das promessas todo o cuidado é pouco e eu, como bom português, sou um gato escaldado com medo de água fria.

      Só quando ler o programa poderei avaliar alguma coisa. Até lá é tudo vago.

      Abraço

  6. Para que não se perca o debate saudável que está a decorrer no facebook:

    Silvéria, quando se definem estratégia e prioridades, definem-se os principais temas, as linhas orientadoras!
    Esse trabalho, como disse foi feito e apresentado desde março.
    Agora, estamos a concretizar que acções pretendemos executar, com detalhe e rigor.
    O programa é uma coisa muito séria, foram ouvidos vários (dezenas) de especialistas em diversas áreas e foram recolhidos, através do canal criado para isso, imensos contributos. Terá o momento certo para ser apresentado e não falta tanto tempo como isso.

    (Só como pequeno reparo, e se não estou em erro, acho que apenas o bloco apresentou o seu programa)

  7. Para que não se perca o debate saudável que está a decorrer no facebook:(part II)

    Mendes, nós sabemos que para analisar propostas é preciso tempo, mas para ouvir e concretizar um programa sério e credível, dando voz a todos os trofenses que quiseram dar o seu contributo e auscultando o saber dos diversos técnicos que colaboraram connosco, assim como tentar analisar a sua exequibilidade leva bastante mais tempo que ler!

    Mas uma coisa te garanto, não terás de esperar muito tempo até estar finalizado!

    Já agora, sabes quais são as propostas concretas do PS?

    • João Mendes says:

      Vítor,

      Claro que é preciso tempo para tudo isso. E eu não coloquei isso em causa! O que eu digo é que ao fim de todo este tempo já podia estar concluído. Se foi por falta de planeamento, de ideias ou de empenho isso a mim não me diz respeito. O que me diz respeito é que, sendo eu um eleitor, quero ter informação concreta sobre o plano de acção dos partidos em quem posso votar. Repito que discursos inflamados e ideias interessantes mas vagas não me transmitem rigorosamente nada excepto uma vontade de fazer algo cuja forma de materializar ainda não está definida.

      Se calhar deviam ter começado a trabalhar mais cedo ou organizar as tarefas de outra forma mas cada partido define as suas prioridades assim como nós cidadãos definimos as nossas. Uma das minhas enquanto eleitor é saber de antemão no que estou a votar e a minha curta experiência eleitoral diz-me para não confiar em promessas nem discursos bonitos porque a regra geral, na Trofa e no país, é ficarem esquecidas pelo caminho (lembras-te do metro resolvido? Há quantos anos nos prometem variantes?).

      Tenho plena noção que preparar um programa leva mais tempo a ler. Mas isso é o vosso trabalho, é também para isso que os partidos recebem somas quase obscenas para as campanhas. E um partido com a quantidade de militantes que o vosso tem podia e devia ter fechado este tema muito mais cedo.

      Quanto ao PS, que não é o assunto aqui em discussão (mas cuja comparação que fazes diz muito sobre a tua abordagem ao assunto), existem também ideias interessantes mas vagas que tem sido veiculadas pela comunicação deles e pela CS. Tal como vocês, tem mais dinheiro que os restantes partidos, mais gente para trabalhar e mesmo assim nada.

      Abraço

  8. José Manuel Oliveira says:

    O programa do PS só pode ser definido pelo “Rumo Certo” ou seja manutenção do caminho dos ultimsos 4 anos. consolidação financeira, educação e accção social (que levam mais de metade do orçamento).
    De resto, vi o PSD a prometer algo parecido com algo que já existe: a “Trofa Solidaria”.
    Relativamente a acessibilidade, vi o PSD a prometer um entreajuda entre concelhos vizinhos para reclamar junto do governo, ora algo que a camara fez com a assinatura do acordo tripartido hà uns meses atrás.
    A Trofa não se pode desviar do rumo destes 4 anos que tem dado os seus resultados apesar do imenso caminho ainda a percorrer.

    • José Manuel Oliveira says:

      E desde que soube da avença do Sergio Humberto, a minha ideia pessoal dele caiu um pouco. Nao basta ser serio, é preciso parecer.

    • João Mendes says:

      desculpe lá José Manuel Oliveira, mas isso não é programa nenhum. Um programa é um documento escrito com propostas e meios de as realizar. Não nos vamos confundir por favor.

      Quanto ao Sérgio Humberto, já ouvi e li muita coisa, pena que não haja uma única prova efectiva dessas acusações. Apresentem provas, publiquem-nas na rede e depois falamos…

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