A Trofa na comunicação social pelos melhores melões

Quando surgem notícias envolvendo militantes e/ou dirigentes de PS ou PSD da Trofa que dão conta de investigações sobre situações pouco transparentes (ou situações pouco transparentes não sujeitas a investigação, como é habitual em Portugal), é recorrente ver a jota adversária a explorar o tema de forma exaustiva através da partilha estratégica do conteúdo no Facebook. Tal acaba por ser sempre muito engraçado, uma vez que na esmagadora maioria dos casos existe uma investigação ou situação semelhante no seio do seu próprio partido que para os denunciantes simplesmente não existe. Um estado de negação bipolar que caracteriza muitas das críticas feitas por estas estruturas à sua oposição e que apenas contribui para lhes retirar credibilidade moral e intelectual. Nem por isso partilharam o que a comunicação nacional em peso noticiou quando resolveram andar à porrada no meia da rua por motivos absurdos. E isso foi mesmo pelos piores motivos como alguns gostam de dizer.

Infelizmente, estas jotas não são tão motivadas para notícias mais positivas sobre a sua terra. Excepto, claro, quando tal notícia envolve positivamente algum seu dirigente, partido ou acção em particular. Depois de dar uma rápida espreitadela aos blogs e Facebooks das juventudes partidárias do Bloco Central trofense, percebi que ninguém tinha partilhado uma daquelas raras ocasiões em que a Trofa aparece na comunicação social pelos melhores motivos. É certo que a maioria dos trofenses estão familiarizados com a qualidade suprema dos melões de casca de carvalho. Mas também o estão com as investigações que pendem (ou pendiam) sobre Bernardino Vasconcelos ou Joana Lima e nem por isso se perde uma oportunidade de lavar roupa no tanque público. São prioridades. Afinal, existem muitos beijinhos e fotografias para publicar, que raio de interesse teria divulgar um mero melão que só é um dos melhores e mais procurados do país e que por acaso até cresce aqui no concelho?

O melão de casca de carvalho custa uma média de 5€ por kilo. A peça da TVI diz-nos que podem chegar a custar 40€ e a sua produção está longe de ser industrial, o que torna o “petisco” ainda mais valioso, escasso e, obviamente, saboroso! Segundo o produtor, e apesar da procura, a produção é matreira e uma parte substancial acaba por ser perder. Do total, apenas cerca de 20% resulta daquilo que chama “melão de primeira categoria”. E esse “melão de primeira categoria” tem uma procura claramente superior à oferta, atrai pessoas de fora e leva o nosso nome para fora das fronteiras do concelho. É algo que vale bem mais a pena promover do que a divulgação, vezes sem conta, da mesma fotografia de uma qualquer acção de campanha.

Um aplauso à Junta de Freguesia, actualmente liderada pelo Prof. Azevedo, um dos poucos actores políticos trofenses pelos quais tenho profunda admiração pelo trabalho desenvolvido naquela que durante muitos anos foi a minha freguesia, que tomou a iniciativa de promover um concurso anual para promover esta iguaria. É importante que quem governa Trofa se preocupe em promover as potencialidades do nosso concelho e esta iniciativa, em conjunto com outras como a Feira Anual ou a  Expotrofa. Assim vale a pena aparecer na comunicação social!

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