Estradas da Trofa: entre o verdadeiro problema e aproveitamento eleitoral

A rede viária do concelho da Trofa é, desde que me lembro, um desastre: desde os tempos do consulado tirsense ao momento actual passando pelos anos de governação social-democrata, não me lembro das estradas trofenses se encontrarem em boas condições. Sempre tive a sensação de viver numa cidade “semi-bombardeada”…

Na curta história do concelho da Trofa, a questão dos buracos tem sido utilizada como arma de arremesso político em período de campanha eleitoral autárquica, esteja quem estiver na oposição. Foi assim antes das autárquicas de 2009 com protestos “cirúrgicos” do PS e da JS Trofa (que levou inclusive a um insólito roubo de faixas) e é assim hoje em dia com o aproximar de novas eleições, desta vez com o PSD e a JSD Trofa a liderar o protesto mais mediatizado (protesto esse que já levou mesmo o “conflito” para um novo nível que envergonhou a Trofa e ficou imortalizado nos media nacionais como a “pancada entre os jotas da Trofa”). Claro que quem está no poder mantém-se calado e sacode a água do capote, agora como em 2009.

Isto deixa-me a pensar no seguinte: será que para os dois partidos que dominam o “aparelho político-partidário” trofense, o verdadeiro cerne da questão está no problema que efectivamente afecta os trofenses ou antes a potencial vantagem eleitoral que esta questão, exaustivamente explorada, poderá trazer a quem se senta na oposição? Não descurando a legítima e honesta preocupação do nosso “bloco central” (mais não seja porque a questão também os afecta igualmente), estou obviamente inclinado para acreditar na segunda hipótese. Caso contrário não os ouviríamos a falar deste tema de forma crítica apenas é só quando se encontram na oposição. Não existem coincidências em época de eleições e da mesma forma que na Assembleia da República estes partidos se sobrepõem ao interesse nacional, também aqui é a lógica partidária de poder que impera por muito que nos digam o contrário: as múltiplas evidências falam por si.

Como somos um concelho jovem e relativamente pequeno é difícil encontrar dados na rede que nos permitam explorar o discurso do PS antes de subir ao poder na Trofa. Contudo, o blog da JS Trofa permite-nos auscultar algumas das posições que os socialistas defendiam na altura (é mais que sabido que as jotas, principalmente em época de eleições, estão perfeitamente articuladas com os seus partidos, uma rápida passagem pelos blogs/facebooks das mesmas e dos seus principais líderes é mais do que esclarecedor daquilo que aqui afirmo) e a palavra de ordem relativamente a este tema era “À espera de eleições para arranjar as estradas?”

Agora os papéis estão invertidos e a antes silenciosa JSD Trofa deu lugar a uma nova e “ultra-reivindicativa“ estrutura que em nada lembra a nula apatia que os caracterizava relativamente a este tema no ido ano de 2009. Colam-se cartazes de elevada qualidade gráfica (mas parcialmente ilegais), de seguida os cartazes são todos “roubados” (à excepção de uma das placas que nunca ninguém chegou bem a perceber se tinha sido ou não roubada) e por fim colam-se novos cartazes cuja sinaléctica foi adaptada para que a Polícia Municipal não os voltasse a retirar e a luta continua! Tudo isto sob a “mudez” de uma JS Trofa que antes colocava faixas de protesto nas estradas do concelho. Agora nem um pio.

Paralelamente, o discurso oficial da coligação PSD/CDS-PP “Unidos pela Trofa” tem também insistido neste tema. Para além das referências habituais nos seus discursos, Sérgio Humberto, candidato social-democrata à CMT foca este assunto com especial destaque na sua mensagem aos trofenses no site da coligação falando da necessidade de “Um concelho com melhores acessibilidades e com as suas vias devidamente mantidas e conservadas.”, uma das metas para as quais aponta o candidato. Contudo, e um pouco à semelhança daquilo que foi já dito relativamente à JSD Trofa, não existe qualquer registo disponível de reivindicações semelhantes do candidato quando em tempos fez parte da equipa que conduzia os destinos da Trofa sob a batuta de Bernardino Vasconcelos.

Do meu ponto de vista, entendo que ambas as estruturas deveriam reivindicar SEMPRE a solução para estes problemas, não apenas quando lhes é conveniente ou quando precisam de ganhar eleições. Isso sim seria estar do lado dos trofenses! Já a postura a que estamos habituados nestas matérias pouco serve o nosso concelho e mais não é do que parte de uma estratégia cujos fins são essencialmente eleitoralistas. Se assim não fosse, a JSD Trofa já teria espalhado cartazes anedóticos pela Trofa em 2009 e a JS Trofa teria também algumas tarjas de protesto estrategicamente distribuídas ao longo da N14.

Entretanto, e como era de esperar, os buracos continuam lá. Todos os dias, eu e todos vocês que agora estão a ler este texto enfiam a vossa viatura em meia-dúzia de buracos e tampas sublevadas. Mas não se preocupem que, tal como em 2009, começamos a ver alguns arranjos nas vias principais. É claro que continuaremos a ter zonas que mais parecem ter sido alvo do ataque de um qualquer drone como é o caso, por exemplo, de praticamente toda a subida até ao alto de Paradela mas hey, pelo menos temos uma “avenida” de duas inúteis faixas a passar ao lado da nossa estação megalómana. Uma avenida inútil para as nossas necessidades mas que PS e PSD fazem questão de disputar a autoria como se isso importasse.

Às vezes fico com a sensação que sobra dinheiro nesta autarquia: ainda há poucas semanas se destruiu uma rotunda praticamente nova e em perfeito estado de conservação para se oferecer uma obra dispendiosa e nada prioritária para os habitantes do concelho. Será que não foi parcialmente (para não dizer totalmente) financiada pela CMT? Quantos buracos já poderiam estar tapados com esse valor?

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11 Responses to Estradas da Trofa: entre o verdadeiro problema e aproveitamento eleitoral

  1. Silvéria Miranda says:

    Muito boa análise, João. Gostei particularmente de te teres, fazendo o que todo o eleitor competente deve fazer, ido à procura da verdade e de teres trazido para este espaço algumas coisas que se passaram em 2009. Fizeste-o com graça, mesmo a situação não tendo graça nenhuma.
    E engraçado também, ou talvez não, como os papeis se invertem… Devo dizer que a JS foi a mais criativa no sentido de ter sido a primeira a colocar faixas anedóticas, mas sobre a originalidade (!!!) de quem as roubou já não podemos falar de autoria. Ou podemos?
    Mas concordo contigo, toda a minha curta vida (porém, bem maior que a vida do concelho) ouvi pessoas de outras terras a dizerem: “A Trofa? Não é aquela cidade das rotundas e dos buracos?”. Agora temos buracos nas próprias rotundas, estamos realmente a ficar prós na arte de bem destruir carros… e pelos vistos iremos passar para outro nível, porque duvido seriamente que a situação mude. É fácil falar de variantes quando as ruas existentes são uma VER-GO-NHA!
    Quanto à rotunda que homenageia os professores, gostava seriamente de perceber, melhor, de saber ao certo, em que consistiu o papel da CMT nisso.

  2. Pedro Fernandes says:

    Boa tarde joão mendes!

    Começo por felicitar-vos pelo blog e concordar com tudo o que expuseste no artigo, para mim a temática “estado da rede rodoviária da trofa” é uma batatinha quente de arremesso, muito conveniente em tempos de campanha publicitária (ofertas de sorrisos, beneficios imediatos com mensagens fáceis relembra-me muito dos spots de promoção de máquinas para abdominais).

    No entanto, sem querer levar esta discussão para uma análise de estratégias de como “fazer politica” (seja lá o que isso for), eu, como cidadão e eleitor, por vezes penso na questão: quem tem a responsabilidade de manter a “estrada” em condições?

    Bem, isso depende da “estrada”, se fizer parte da rede nacional complementar (IC, EN), em principio, é da responsabilidade das Estradas de Portugal, ou de uma possível concessionária. Contudo, se pertencer à rede de estradas municipais, então aí, o possível responsável seria a câmara ou a junta. Agora, se colocar as empresas camarárias nesta frigideira de responsáveis, já fica uma Masala engraçada (um dos pratos preferidos do Rui Rio).

    Ou seja, numa optica de Promotor – Comprador, não seria muito mais benéfico, a nivel de aceitação por parte do eleitorado, estes comerciais optarem por uma campanha com mais conteúdo informativo, mesmo que fossem obrigados a utilizar palavrões como “l casei imunitass”?

    Certamente que existe, dentro dos grupos politicos da trofa, pessoas capazes de falar de forma eloquente e séria sobre problemáticas que levariam a uma real melhoria de situação, mas será que isso interessaria a alguém? Para os mecânicos é uma oportunidade de negócio.

    • João Mendes says:

      Boas Pedro Fernandes,

      Essa analogia aos anúncios da máquinas de abdominais das giga shops foi qualquer coisa 🙂

      Obrigado 🙂 esperemos que venhas cá muitas vezes conversar connosco 🙂

      É uma oportunidade para os mecânicos, para os que vendem alcatrão e para aqueles cujas empresas de construção reparam o piso. Mas no caso da Trofa existe uma particularidade pouco comum: a N14, que atravessa o concelho, é responsabilidade da Câmara Municipal da Trofa devido a um contrato celebrado no passado pelo executivo anterior. A parte da N14 que atravessa a Maia ou Famalicão, esses concelhos atrasados, é contudo responsabilidade da EP. São cenas….

      Também te digo uma coisa: com o barulho que se tem feito sobre os buracos, ganhe quem ganhar a corrida à CMT, a situação vai com certeza mudar, nenhum autarca vai querer ter que continuar a lidar com este problema. pelos menos nas zonas de maior densidade populacional.

      um abraço

  3. Quem conheceu a Trofa nos tempos em que se lutava contra Santo Tirso sabe que eramos uma terra que mais tarde ou mais cedo se tornava independente. Para quem não sabe, convém lembrar que tínhamos construtores que apenas e só, pensavam nos lucros chorudos e que a troco, das tais, benesses conseguiam levar em frente aquilo que queriam, sem quererem saber se Trofa ficava asfixiada ou não. Caso concreto um prédio que foi implantado na rua que vai para a feira que veio buscar terreno à rua.Sabemos perfeitamente que a Câmara da Trofa era uma boa ideia se não fosse de imediato tomada de assalto pelas forças politicas.Nunca houve intenção de quem quer que seja tapar buracos”refiro-me aos das estradas” , até porque isso dava protagonismo e dinheiro, Cheguei a ver uma equipa com homens suficientes para alcatroar uma estrada, só para nivelar as tampas e passados dias estavam na mesma , “refiro-me a alguém” que se veio a saber que ganhava um balúrdio e que depois desapareceu e agora até se sabe que nem é verdade que ganha dinheiro! Caros Trofenses, todos os trabalhos efetuados no nosso concelho foram comparticipados e eu pergunto: porque se fez tanta divida.

  4. João Mendes says:

    É uma boa pergunta Joaquim: principalmente porque parece que volta e meia aparece uma nova dívida de gaveta. Somos um concelho altamente endividado, nomeadamente por algumas obras como o Aquaplace que nem metade estava paga quando o executivo mudou em 2009, e acho que todos temos alguma dificuldade em perceber a dimensão e principalmente o porque dessa dívida.

    Que prédio é esse que refere? Em que rua exactamente?

    E essas construtoras, a quem se refere?

    Aprecio muito a sua frontalidade meu caro mas acho que teria mais a ganhar se fosse mais claro nas suas acusações para que todos pudessemos perceber melhor sobre o que fala!

    Um forte abraço e volte sempre 🙂

  5. Anonymous says:

    Estou muito expectante em relação ao futuro da quase extinta Trofáguas, nomeadamente o serviço de saneamento para as Águas do Noroeste.
    A Trofáguas teve no início em 2003 o arranque das obras de saneamento nas freguesias do coronado e de seguida por todo o concelho da Trofa. Só parte das freguesias do coronado foram comparticipadas por fundos europeus, as restantes obras em curso não foram subsidiadas porque as candidaturas estavam mal estruturadas, entregues fora de prazo e outras por esquecimento.
    Com estas atitudes que considero criminosas no posto de vista social, contribui para o endividamento do município e o enfraquecimento financeiro das famílias trofenses que eram obrigadas a efetuarem o pedido de ligação ao coletor, conforme o regulamento municipal.
    Explicando melhor, o anterior executivo considerou pela inercia de quem tratava destas candidaturas (possivelmente com um bom salário pago pelos contribuintes trofenses) trofenses de 1ª e de 2ª.
    Não querendo alongar muito o texto e focando-me no essencial, com foi possível que todas as administrações da Trofáguas não conseguiram inverter a situação de endividamento, quando as obras de saneamento foram custeadas pelos munícipes que efetuavam as ligações e como se não bastasse e por promessa eleitoral do atual executivo camarário que considerava um exagero a taxa de ligação resolveu fazer um corte de 50% no valor das referidas taxas, ou seja um ramal que custava para a Trofáguas cerca de 500 € a Trofáguas por decisão da CMT começou a cobrar cerca de 250 €, suportando assim a diferença. Por aqui se vê que estas contas não iam dar certo.
    Agora fala-se que com a anexação do saneamento às Águas do Noroeste estas taxas vão ser custo zero (melhor que os preços em moda considerados Low Cost).
    Resumindo, temos trofenses isentos de taxas porque foram abrangidos pelas candidaturas entregues a tempo, trofenses que pagaram o custo na totalidade os que não foram abrangidos pelos subsídios europeus, os trofenses que pagam metade e agora aproxima-se os que não vão pagar.
    Tratamento desigual em toda a linha.
    Mas, para a injustiça continuar a Trofáguas passa para as Águas do Noroeste a custo zero, tendo assim desta forma o monopólio deste serviço.
    Juntamente com a Trofáguas estão as camaras de Baião, Amarante, Santo Tirso, Amarante, Cinfães, Póvoa de Lanhoso, Celorico de Bastos e Arouca.
    Desistiram, Famalicão, Vieira do Minho, Vila Verde, Castelo de Paiva e Fafe por consideraram um mau negócio em que os seus munícipes iriam ser altamente prejudicados com a entrega destes serviços para a mão de privados, empresas em que o seu principal objetivo é o lucro.
    Destas todas a Trofa é a que tem a maior cobertura de saneamento cerca de 85% do concelho. O que se espera de investimento pelas Águas do Noroeste para a Trofa é nenhum, mas as tarifas vão sofrer um enorme aumento para colmatar o custo zero da ligação, ou seja todos os trofenses dentro de pouco tempo vão as tarifas a serem aumentadas para pagar os investimentos que as Águas do Noroeste tem para os concelhos que aderiram e a rede de saneamento é muito inferior à nossa.
    Na Trofa vai ficar só um posto de atendimento, ou seja as cobranças.
    Este acordo foi feito em assembleia municipal representada por todos os deputados em que votaram por unanimidade a esta proposta criminosa.
    Depois do mal estar feito quero ver a quem vão atribuir as culpas se ao PS ou PSD as culpas são de todos.
    Todas as administrações da Trofáguas e CMT tiveram oportunidade de parar com este processo arruínoso inclusive este último, acordo formado em finais de junho 2013.
    Além do que já pagamos vamos continuar a pagar para que os investimentos sejam feitos noutros concelhos.
    TEMOS QUE DIZER BASTA TODOS SÃO CULPADOS NESTA DECISÃO

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