Sobre a campanha eleitoral trofense em 2013 #1

(Nota prévia: o texto que se segue foi escrito por alguém que viu, que esteve lá, que sabe. Não é especulação.)

 

Meus amigos,

Depois dos vários outdoors espalhados pelo concelho (mera poluição visual), onde alguns partidos até fogem às suas próprias cores, e depois de beijinhos e abracinhos em alguns festas concelhias (com direito a fotos no Facebook, quais campanhas modernas…), eis que surge algo capaz de me surpreender. E pela positiva. E na Trofa. Um evento chamado “Em forma com determinação”.

Para quem não sabe, este “Em forma com determinação” surgiu por iniciativa do Partido Socialista da Trofa e consiste na realização de actividades desportivas junto à estação de comboios da Trofa, às 21h30, às segundas, quartas e sextas (podem ver mais em pormenor na página oficial da campanha da Joana Lima/PS). Isto sim parece-me uma maneira muito melhor de fazer campanha, de promover(-se), a si e ao partido, de forma muito positiva. Primeiro, porque é uma actividade que engloba toda a gente (vi desde crianças com 5/6 anos a idosos com 60 e tais, talvez mais; havia homens e mulheres; pessoas em boa condição física e outros que nunca praticaram desporto). Depois porque, para além de ser algo que se realiza em vários dias, possibilitando assim que quem não esteja presente num dia, esteja noutro, é num horário onde já não há a desculpa do jantar, do trabalho, etc. Além disso, é gratuito e sem qualquer espécie de controlo… pode-se chegar mais tarde, ir embora mais cedo, ninguém diz nada e até há água e t-shirts à borla. E, parece-me ainda mais importante, mostra que, pelo menos aqui (o resto iremos acompanhando), Joana Lima soube rodear-se das pessoas certas (instrutores de fitness, no caso). Ela própria participa na actividade, desmanchando aquela imagem de senhora bem arranjada e sendo a “Joana do povo” que diz(em) ser.

Claro que continuo a contar com canetas, blocos de notas, réguas, panos para limpar o pó, panfletos que quase ninguém lê (mas deviam, meus amigos, mas deviam…), entre outros brindes tipo lembranças de casamento. Faz parte. É da praxe, quase. Mas isto, a meu ver, eleva a fasquia, uma vez que exige criatividade aos outros partidos. Para o povo, parece-me óptimo.

Como se isto não bastasse, Joana Lima assume aqui, meio que indirectamente, uma promessa. Se em tempos de campanha eleitoral apoia tanto o desporto, ganhando as eleições em que patamar o desporto concelhio ficará? Será que as pessoas se vão esquecer disto? Bem, eu não.

Enfim, mas e vocês? Já estão a gostar desta algazarra inicial? O que acham que vem a seguir?

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12 Responses to Sobre a campanha eleitoral trofense em 2013 #1

  1. Boa noite Silvéria,

    O conceito da prática desportiva e do seu fomento é óptimo, pena só aparecer a cerca de 60 dias das eleições para tentar ludibriar o povo..

    Senão vejamos:

    – Acabou o Futebol amador na Trofa pois deixou de ter o apoio fundamental da CM da Trofa liderada pela “Joana do povo” como tu própria a apelidaste;

    – A redução dos apoios ao associativismo implica tambérm uma redução da aposta na prática desportiva e de vida saudável, visto que muitas das associações do nosso concelho estão ligadas à actividade desportiva;

    – As férias desportivas e o acampamento juvenil que existiu em tempos, promovendo uma semana de actividade desportiva no nosso concelho e um acampamento anual com jovens do nosso concelho também deixaram de existir com o executivo liderado por Joana Lima.

    – Rodear-se de instrutores de Fitness (funcionários da CM da Trofa/ TRofaPark, pois na sua grande maioria (senão mesmo todos) são instrutores do Aquaplace; Conheço-os pessoalmente a quase todos, alguns deles precisamente das lides políticas, outros conheci nos tempos em que fui utente do Aquaplace. Sendo que existe aqui uma linha muito ténue que separa o âmbito profissional do ãmbito de uma campanha partidária, não sei até que ponto será a forma mais correcta de o fazer…

    Sobre desporto, assim a frio é o que me surge assim de repente sem perder muito tempo.

    Quanto à iniciativa de campanha, gostaria de referir ainda que mais uma vez, Joana Lima tenta fazer a colagem da obra da REFER ao seu mandato, mas nunca se esqueçam que esta obra surge por exigência do executivo liderado pelo PSD que obrigou a REFER a executar esta grandiosa obra. (Não basta tirar fotografias e colocá-las em cartazes como se fossem da sua “autoria”).

    Cumprimentos a todos os trofenses e um “ATÉ JÁ!!!”

  2. Olá Silvéria, não podia estar mais em desacordo contigo! 🙂 O que me dizes é que (se não estás a ser irónica e se assim for não percebi o teu post) a realização de uma actividade desportiva é de alguma maneira uma boa forma de fazer campanha eleitoral (pelas várias razões que enumeras). Eu penso que quanto mais distante a política estiver do marketing melhor e desprezo qualquer tipo de actividade festiva em que se distribuem brindes. Se faz parte ou se é da praxe então têm de deixar de fazer! E o que diziam os panfletos?

    • Silvéria Miranda says:

      Vasco,
      o que quis dizer é que em comparação com a oferta de brindes desnecessários e o espalhar de outdoors que nada acrescentam pelo concelho, parece-me melhor um partido aplicar o dinheiro da sua campanha em actividades que de facto trazem benefícios para os seus cidadãos do que em coisas que vão para o lixo no momento a seguir. Conheces muitas situações em que tal tenha acontecido? Bem, não sou assim muito velha, mas as campanhas eleitorais que já acompanhei não passaram da oferta de brindes e de churrascos gratuitos!
      E o que seria da política neste momento sem o marketing? É preciso vender ideias/ideais! 😛 Mas que tipo de iniciativas sugeres para uma campanha eleitoral?
      Quanto aos brindes que são da praxe, eu disse que é hábito oferecê-los, não que estava de acordo (que de todo não estou!).

      • Bem isso é o mesmo que dizer que o candidato a Maximinos (Braga) nas ultimas autárquicas fez uma óptima campanha porque os brindes dele eram chouriços, que não vieram da China, não foram logo a seguir para o lixo e serviram com certeza para alguma coisa. 🙂 A política sem marketing passaria a servir os interesses das populações em vez de lhes tentar impingir uma coisa que convém que não percebam.
        A ideia de uma campanha eleitoral é dar a conhecer uma equipa e um programa. Os programas eleitorais deveriam obedecer a um formato tipo, ser impressos e distribuídos pelos eleitores e seriam úteis também debates nos meios de comunicação locais entre os vários candidatos. Penso que seria o bastante. Temos já 40 anos de tradição nesta fantochada e essa é uma das principais razões para estarmos onde estamos, portanto uma boa campanha não pode passar por estas brincadeiras. A solução é simples, barata e ecológica mas aí estaríamos a discutir ideias o que é uma chatice para muita gente. E… eu acho que não leste os panfletos! 🙂

      • Silvéria Miranda says:

        Promover actividades desportivas gratuitas, por si só, não diz nada sobre um candidato e as ideias de um partido. Não é a estratégia que eu consideraria ideal. Mas é preferível a oferecer brindes inúteis, porque o desporto é mais útil, faz bem ao corpo e à mente e se levado a sério torna-se um vício bom de manter. Oferecer chouriços, mesmo que portugueses, não se encontraria no mesmo patamar que isto, porque faz mal ao colesterol 😛 Mas oferecer legumes era bem melhor que oferecer aventais de plástico, certo? E o mesmo sobre oferecer livros ou trazer cá uma companhia de teatro ou algo assim.
        Ou seja, no fundo o que estou a dizer é que se houvesse uma hierarquia de estratégias para se ganhar umas eleições, em terceiro lugar estariam os brindes inúteis, em segundo as actividades que mesmo não dizendo nada sobre um partido pelo menos fazem bem à população, e em primeiro lugar uma campanha mais ou menos como estás a dizer.
        Hoje em dia, pelo menos nos meios mais urbanos, se queres ganhar umas eleições tens de competir com os outros partidos usando as mesmas armas que eles. Podes não gostar de ver a tua cara a passear numa carrinha pelo concelho ou então em outdoors onde alguém vai fazer bigodes, mas se os outros o fazem tens de o fazer também se não queres ficar atrás. E assim os partidos mais pequenos ficam para trás, porque não têm recursos para competir com isto. Podem até ter ideias melhores, mas não têm os mesmos meios de divulgação, porque eles custam caro… E a maioria das pessoas pode até não saber o que promete o PS ou o PSD, mas reconhece as caras dos seus candidatos, e já dos outros partidos nem sempre.
        Se devia ser assim? Para mim não. E concordo contigo quando dizes que a comunicação social tem um papel importante nisto, mas também convenhamos que os órgãos de comunicação locais dependem, não raras vezes, de subsídios provenientes das autarquias… entende daqui o que quiseres! Porém, se não estou em erro, nas últimas autárquicas não houve um debate que passou na TrofaTv? Um, ok, mas é melhor que nada!
        Uma campanha tipo também não sei até que ponto seria o ideal, porque não existiria tanta margem de manobra para surpreender, para sobressair. Mas seja como for falta coragem para mudar esta forma de fazer campanha que só tem resultado mal, basta ver pelos sucessivos Governos que tivemos!
        Ah li os panfletos sim, até guardei alguns, bem como alguns boletins municipais ou lá como se chama aquilo.

  3. José Santos says:

    Antes de mais, Parabéns pelo lançamento de uma nova plataforma de discussão política. Pelo que já me apercebi no Facebook, já causou alguma controvérsia, pois as pessoas estão habituadas ao surgimento de plataformas semelhantes em período pré-eleitoral, mas com ligações (mais ou menos) claras a partidos políticos. Sei de fonte segura, não porque me disseram, mas sim porque tenho uma grande amizade por uma das pessoas responsável pela plataforma (João Mendes), que estamos perante uma plataforma independente e que muito poderá acrescentar ao debate político na Trofa. Á Silvéria: não te conheço, mas teria todo o gosto em fazê-lo, pois sei que também tens uma linha de orientação semelhante à do Mendes.
    Agora, relativamente ao post:
    De facto tem-se constatado uma forte adesão à iniciativa “Em forma com determinação”, arrisco-me a dizer que estamos perante uma nova forma de fazer política. Não acho que se trate de algo como já muitos apelidaram de “pão e circo” uma vez que não se trata de um ato isolado e onde as pessoas estão comprometidas com o projeto. Quem lá está, facilmente se apercebe que no inicio, algumas pessoas até sentem alguma “vergonha” em começar a participar nos exercícios, mas que com o desenrolar das atividades, acabam por entrar no grupo, não necessitando de vestir a camisola.
    Relativamente ao comentário do Vítor (permita-me que o trate assim):
    O caso do futebol amador, não estou em condições de explicar o porquê de ter terminado o apoio. Sei que houve motivos muito fortes e não se tratou de um “capricho” ou vontade de acabar com o apoio aos clubes.
    As férias desportivas continuam a existir (pode consultar o site do município).
    Quando acusa de “rodear-se de instrutores de fitness do Aquaplace” não percebo o que quer dizer. Os instrutores estão lá, de forma voluntária a prestar o seu apoio numa atividade da candidatura. Ou está a querer dizer-me que por serem “funcionários da CM da Trofa/ TRofaPark” não podem colaborar nas atividades?
    Relativamente ao local da CP, lamento que ainda “dê pra esse peditório” de quem construiu ou pediu pra construir! Alguém como o Vítor devia facilmente chegar à conclusão que foi esse o local escolhido, devido ao seu amplo espaço, facilidade de acessos, iluminação, etc. e não pelo motivo que apresentou.
    Apenas gostaria de concluir com um pequeno esclarecimento: quem escreveu tudo isto foi o José Santos, munícipe trofense, como muitos outros. Apesar de pertencer aos órgãos da JS, não estou a participar nessa qualidade. Quando assim o for, informo antes de iniciar o texto.
    Bem haja a todos e mais uma vez, parabéns aos autores deste projeto.

    • Silvéria Miranda says:

      José Santos,

      Desde já obrigada por essas palavras. A ideia é mesmo criar uma plataforma onde todos podem contribuir com as suas opiniões e ideias, sejam militantes/simpatizantes de um partido ou não, jovens ou idosos, homens ou mulheres, sem que a “sombra” de uma estrutura partidária paire por aqui. Aqui não há campanha, não ganhamos nada com isto, apenas o fazemos porque acreditamos que é necessário.

      Agradeço também essa nota final, porque acredito que muitas vezes se confunde a pessoa em si com cargos que ocupa.

      Neste “Em forma com determinação”, ou nas caminhadas, participam pessoas que nem sequer são da Trofa! Não há, como disse, um controlo. Cada um participa o tempo que quer e consegue, faz os exercícios como sabe e pode, não existem caras feias que quase intimidam e obrigam as pessoas a aceitarem t-shirts ou afins. No primeiro dia não sei porque não estava lá, mas nesta quarta feira não houve sequer um discurso de cariz político e esta falta de momentos mais maçadores (a expressão é mesmo esta!) cativa mais as pessoas.

      Sobre as observações do Vitor respondi-lhe no facebook.

  4. João Mendes says:

    Depois de ler o que aqui foi escrito fiquei dividido. Se por um lado entendo a posição da Silvéria e concordo que é preferível gastar dinheiro numa actividade destas do que em mais cartazes, ou aventais ou autocarros, por outro lado revejo-me no modelo apresentado pelo Vasco que não é colocado em prática muito porque seria altamente prejudicial a muitos candidatos a autarcas que por esse país fora não passam de boys e girls que la foram parar devido aos esquemas que todos conhecemos…

    Claro que num país efectivamente democrático onde os aptos estariam em força na política, a campanha deveria ser precisamente aquilo que o Vasco refere: a discussão de ideias e o debate público. O problema é que a maior parte das pessoas prefere o show-off e a futilidade. Nesse contexto triste em que nos encontramos, prefiro como eleitor ver uma aula de fitness do que mais lixo na rua e autocarros a debitar lixo…

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